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O primeiro grande avanço foi definir que os profissionais que devem cuidar das crianças e adolescentes cardiopatas devem ter necessariamente formação específica. Segue a construção de unidades de terapia intensivas de pós-operatório, específicas para Cardiologia, qualificadas não somente pela estrutura física, como também pela presença de profissionais especializados dos vários setores da saúde.
Neste contesto, cresce a qualidade do diagnóstico pelo aprimoramento dos profissionais e modernização dos equipamentos de ecocardiografia, exame que em 95% dos casos de cardiopatia, nesta faixa etária, é suficiente para a decisão cirúrgica. A incorporação de novos métodos diagnósticos, como a ressonância magnética contribuí para a consolidação do diagnóstico não invasivo das cardiopatias. A presença da ecocardiografia no diagnóstico das doenças cardíacas durante a gestação, no diagnóstico pós-natal, da ecocardiografia transesofágica transoperatória e da ecocardiografia pós-operatória à beira do leito da UTI, torna o método diagnóstico mais utilizado na Cardiologia pediátrica atual.
Importante é lembrar a evolução do Serviço de Hemodinâmica que, além da complementação diagnóstica, contribui com intervenções que, em casos selecionados, evita procedimentos mais invasivos.
A melhoria e a difusão dos serviços de Neonatologia proporcionam a manutenção da vida dos recém-nascidos cardiopatas até a intervenção do cardiologista. Este é outro ponto importante na melhoria dos resultados, já que podemos atuar precocemente nas cardiopatias graves e, desta forma, evitar seqüelas importantes.
A sedimentação das técnicas cirúrgicas, o aprimoramento das técnicas de anestesia, uso de equipamentos precisos na monitoração de parâmetros hemodinâmicos, ventilatórios e da atividade cerebral, bem como a melhora significativa dos equipamentos de circulação extracorpórea, permitiram a mudança de atitude quanto à escolha do procedimento. Hoje, mesmo sendo procedimentos mais longos e complexos, preferimos operações corretivas, quando indicadas, já na primeira intervenção.
Esta mudança de atitude não se decorrem apenas das condições intraoperatórias, mas também do avanço extraordinário no suporte pós-operatório. Aqui a qualidade dos profissionais, aliada à incorporação de tecnologia, tornam possíveis tratamentos corretivos em crianças cuja idade e peso não contituem fatores determinantes para a atitude intervencionista.
Assim, passamos da discussão se trataríamos as crianças de forma paliativa ou corretiva; em qual momento poderíamos intervir, se ao diagnóstico ou na dependência da idade ou peso; da mortalidade hospitalar e tardia, para uma análise das condições de vida (capacidade física, cognitiva e emocional), que podemos oferecer às crianças submetidas à cirurgia cardiovascular.
Hoje o nosso compromisso é com a qualidade de vida destes pacientes.
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