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ECOCARDIOGRAFIA
Dr. Ronald Guedes Pompeu
Ecocardiografista
Ecocardiografia fetal é o método primário para o diagnóstico de doenças cardiovasculares fetais, monitoramento da progressão de tais doenças e avaliação de terapêuticas utilizadas in útero. Um exame ecocardiográfico fetal completo é similar na sua abordagem anatômica e funcional a um exame ecocardiográfico transtorácico posnatal. A anatomia do coração e dos grandes vasos ( e suas respectivas relações ), a função cardíaca, o padrão dos diferentes fluxos sanguíneos e o ritmo cardíaco são todos cuidadosamente examinados. Uma variedade de doenças cardiovasculares podem ser detectadas e definidas no feto, desde cardiopatia simples ás mais complexas, miocardiopatias, tumores e distúrbios do ritmo cardíaco.
O impacto da ecocardiografia fetal na mortalidade e morbidade de crianças com diagnostico antenatal de cardiopatia já está bem documentado por vasta literatura médica. Fetos com lesões que necessitarão de uma avaliação e/ ou intervenção cardiológica precoce no período neonatal serão beneficiados de um acompanhamento mais apropriado como poderão também ter seus nascimentos referidos para centros com melhor suporte clínico e cirúrgico.
Se indicado, o primeiro ecocardiograma fetal é geralmente realizado em torno de 18-21 semanas de gestação utilizando a abordagem transabdominal. Em alguns centros a ecocardiografia fetal transvaginal é oferecida em torno de 11 semanas, mas há ainda controvérsia sobre a sua real utilidade.
Indicações
A prevalência de cardiopatias congênitas é de cerca de 8 para cada 1000 nascidos vivos. A prevalência da malformação em todas as gravidezes não é precisamente conhecida, mas é certamente superior á prevalência entre os nascidos vivos. Isto ocorre principalmente por duas razões: (a) anormalidade severas da estrutura ou função cardíaca podem não permitir a sobrevida do feto e ( b) algumas mães decidem terminar a gravidez se alguma anormalidade extracardíaca ou anormalidade cromossômica for detectada. Em ambos os casos, a presença de uma cardiopatia pode passa despercebida.
Como um diagnóstico ecocardiográfico fetal completo consume muito tempo e esforço mental, a realização rotineira de ecocardiografia fetal em todas as gravidez não recomendada. Da mesma forma o exame ecocardiográfico fetal não pode ser tarifado tal qual um exame ecocardiográfico transtorásico haja vista a maior dificuldade técnica e maio duração requerida para sua completa realização. Este deveria ser tarifado no mínimo o equivalente a três exames transtorásico.
E importante, portanto, desenvolver uma estratégica de indicações apropriadas para a realização da ecocardiografia fetal. Estas indicações são categorizadas e listadas abaixo:
Indicações maternais
Cardiopatia congênita materna
Exposição materna a conhecidos teratógenos ao sistema cardiovascular 9 anticonvulsivantes, álcool, rubéola, etc)
Doenças metabólicas ( diabetes mellitus, fenilcetonúria, etc)
Doença do tecido conectivo
Altas doses de radiação ionizante
Ansiedade materna?
Idade materna avançada?
Indicações familiares
História de gravidez prévia com cardiopatia
História de cardiopatia congênita paterna
História familiar de síndrome genética 9 especialmente DiGeorge , Holt-oram, Noonam, Marfan e Williams).
História familiar de ouros defeitos morfológicos congênitos
Indicações fetais
Suspeita de anormalidade estrutural e funcional cardíaca pela avaliação ultrasonagráfica obstétrica.
Maformações extracardíaca
Anormalidade cromossômica
Hidropisia fetal
Arritmia
Gravidez gemelar
Aumento na espessura de translucência nucal
Edema nucal ou hygromata colli
Anormalidade de fluido amniótico de grau moderado a severo.
Aconselhamento Familiar
Talvez o aspecto mais importante da ecocardiografia fetal esteja relacionado à comunicação apropriada dos resultados à mãe e família. Discutir um exame normal é relativamente fácil. Mesmo assim é importante fornecer uma noção das limitações potenciais de um exame ecocardiográfico fetal “normal”.
Muito mais difícil é a discussão que deve seguir detecção de uma alteração severa da estrutura ou função cardíaca no feto. Infelizmente pouca atenção e treinamento é dedicado a este aspecto crítico da cardiologia fetal.
Em muitos casos os pais já suspeitam de que algum problema exista pois eles foram referidos à um centro mais especializado. Se possível, é melhor discutir os resultados em um ambiente outro que o do exame ultrasonográfico.
Os objetivos principais são os de oferecer informações precisa sobre o diagnostico, fisiopatologia, prognostico e opções terapêuticas. Detalhes específicos dependem da precisão e certeza do diagnóstico, da idade gestacional, do prognóstico cirúrgico (se cirurgia for uma opção), da presença ou ausência de uma anormalidade extracardíaca e/ ou síndrome genética associada.
É Imperativo que o médico que estiver fazendo o aconselhamento tenha conhecimento e experiência suficiente para fornecer informações precisa e atualizada sobre o prognóstico a longo prazo da específica anormalidade cardíaca. A informação deve ser apresentada de maneira clara e compreensível que possam estimular o diálogo. Uso de diagramas é aconselhável.
Assim sendo, é recomendação na maioria dos grandes centros que o exame cardiológico fetal seja seguido imediatamente por um aconselhamento familiar afim de que todos os achados acocardiográficos sejam explicados, questões respondidas e se necessário for, medidas terapêuticas iniciadas.
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