FISIOTERAPIA

     O tratamento das cardiopatias visa à melhora da qualidade e da expectativa de vida, envolvendo o fisioterapeuta como membro da equipe multiprofissional que atua na atenção à criança cardiopata no âmbito hospitalar e domiciliar, no pré e pós- operatório.
     A fisioterapia atua prevenindo e tratando doenças pulmonares e o atraso no desenvolvimento neuropssicomotor, que podão surgir, melhorando a qualidade de vida e sobrevida das crianças.
     A escolha da técnica fisioterápica ou o exercício físico a ser utilizado dependem do quadro clínico apresentado pela criança em cada etapa da reabilitação tendo como base um protocolo, visando uniformizar o atendimento e potencializar os resultados.
     O atendimento em nosso serviço acontece nas etapas:
Pré-operatório;
Pós-operatório em:
    - UTI;
    - Enfermaria.

Fisioterapia no pré-operatório

     O contato inicial do Fisioterapeuta, antes da, cirurgia é fundamental. Quaisquer problemas neurológicos ou da função respiratória e do desenvolvimento motor devem ser documentados e formulados os planos de tratamento apropriado.
     O interesse em realizar a avaliação pré-operatória de um paciente cirúrgico repousa na possibilidade de identificar os fatores de riscos capazes de aumentar a incidência de complicações pulmonares e instituir conduta fisioterapêutica mais específica.
     Após a admissão do paciente, é feita a avaliação fisioterapêutica com análise completa do prontuário, dos exames complementares (raios-X, exames laboratoriais), avaliação das funções vitais (freqüência respiratória, freqüência cardíaca, pressão arterial), inspeção da musculatura e tórax, ausculta pulmonar e expansibilidade torácica.
     O valor do encontro da criança e da família no processo pré-operatório é explicar e orientar sobre a importância de realizar exercícios respiratórios para prevenção de atelectasias e derrames pleurais, assim como, aliviar alguma ansiedade do desconhecido, no processo pós-operatório.
     A fisioterapia no pré-operatório tem como objetivos:
Manter vias aéreas pervea, evitando ou tratando o acúmulo de secreção pulmonar;
Conscientizar a famlília e a criança da importância da fisioterapia respiratória e motora para o cardiopata; (prevenção de tromboembolismo, melhora do retorno venoso, ensinar a tossir mesmo com dor)
Ensinar e/ou adaptar a criança aos exercícios respiratórios e motores que serão usados no atendimento após a cirurgia.

Fisioterapia no pós-operatório

Em UTI


     A criança em “Pós-Operatório Imediato” (POI) é admitida na “Unidade de Terapia Intensiva” (UTI) entubada ou não.
     O fisioterapeuta participa do tratamento desses pacientes mantendo e restabelecendo a função pulmonar; facilitando a desobstrução das vias aéreas através da higiene brônquica; melhorando a distribuição da ventilação pulmonar; preservando a expansibilidade tóraco-pulmonar; favorecendo a permeabilidade das vias aéreas; prevenindo as complicações circulatórias/respiratórias decorrentes do repouso prolongado no leito; atuando como facilitador do desmame.
     As técnicas de fisioterapia promovem a quebra e o transporte do muco brônquico, possibilitando sua remoção pela tosse ou pela aspiração endotraqueal.
     As técnicas que podem ser utilizadas no POI para pacientes entubados são:
Insuflação pulmonar manual com ambú (bag squeezing);
Vibrocompressão;
Drenagem postural;
Aumento do fluxo expiratório (AFE).

     Em crianças que estejam em ventilação espontânea dependendo do grau de colaboração e idade, podemos utilizar técnicas passivas, assistidas e/ou ativas como os exercícios respiratórios. Estas são técnicas respiratórias que devem ser acompanhadas por um posicionamento adequado da criança objetivando tanto a ventilação adequada dos pulmões promovendo a quebra e o transporte do muco brônquico, possibilitando sua remoção pela tosse ou pela aspiração de vias aéreas superiores ou endotraqueal, como também evitar contraturas e deformidades que venham a interferir no desenvolvimento motor da criança.

Em Enfermaria

     Após a estabilização hemodinâmica e respiratória, a criança é transferida para a enfermaria ou o apartamento, e continua sendo acompanhada pelo fisioterapeuta objetivando prevenir complicações pulmonares, circulatórias e músculo-esqueléticas.
     São realizados, dependendo da idade da criança, manobras e exercícios respiratórios e motores, buscando gradativamente incentivar e reintegrar a criança as suas atividades de vida diária. Este é um importante aspecto não só para a criança como também para a mãe e familiares. Os lactentes voltam a mamar no peito da mãe; as demais crianças retomam atividades como: sentar sem apoio, caminhar, subir e descer escadas, que funcionam como treinamento e avaliação para o comportamento do novo coração, após a correção cirúrgica.
     Os recursos mais utilizados para estimulação do desenvolvimento motor envolvem terapia lúdica e linha de tratamento evolutiva; como o método Bobath.
     As deformidades de tórax decorrentes da esternotomia, ou ainda cifoescolioses, comuns nos casos em que a via de acesso é a toracotomia lateral, necessitam de acompanhamento a longo prazo e orientação familiar quanto aos exercícios de alongamento e observação atenta do crescimento da criança.
     A prevenção começa na fase hospitalar, quando a dor incisional não for fator limitante de mobilização dos membros superiores e tórax.