Terapia Ocupacional

No Incor Criança, o terapeuta ocupacional faz parte da equipe interdisciplinar de acompanhamento pré, pós-operatório e de reabilitação cardíaca de cirurgia cardiovascular pediátrica da criança e do adolescente. A interdisciplinaridade não é apenas  um termo de expressão, mas uma  prática efetiva de profissionais que planejam suas ações em beneficio  das crianças e dos  adolescentes cardiopatas. 
         
A intervenção realizada é centrada na família porque estabelece metas a serem atingidas a partir das necessidades individualizadas de cada uma. É através dessa relação que o terapeuta ocupacional irá ter subsídios para conhecer e compreender as atitudes da criança cardiopata, construindo, juntamente com o sistema familiar, uma rede de apoio que possibilita, o desenvolvimento da aprendizagem e modificação de comportamentos.       

 

A atuação é dividida em três áreas de abrangência: Segundo o referencial da associação americana de Terapia Ocupacional quanto a pediatria. 

 

 

O BRINCAR,  para a  Terapia Ocupacional, é definido como um recurso  terapêutico de escolha, permitindo melhorar as funções sensoriais, motoras ou cognitivas, afetivas e sociais da criança. O brincar proporciona a oportunidade de agir e compreender o mundo, sendo um instrumento de expressão e mediação subjetiva da criança, como também um recurso de exploração e aperfeiçoamento de habilidades e potencialidades do desenvolvimento infantil.
 

O AUTOCUIDADO possibilita desempenho de atividades e tarefas funcionais, como conseguir alimentar-se sozinho, tomar banho e vestir-se, ou atividades de mobilidade, como ser capaz de se levantar da cama pela manhã e ir ao banheiro.  As atividades de autocuidado proporcionam a criança condições para que, dentro de suas potencialidades, possa formar hábitos de auto-suficiência que lhe permitam participar ativamente do ambiente em que vive.

 

A EDUCAÇAO para a Terapia Ocupacional é utilizada como um processo de ensino e aprendizagem em sua relação com o desenvolvimento infantil para inclusão social. Durante o período de internação são realizadas atividades lúdicas com intuito de manter e promover suas capacidades cognitivas. O ambiente hospitalar é hostil, restritivo e inadequado   para as interações e experiências próprias da criança  quanto as suas  conquistas neuro-evolutivas, dentre elas a cognição. Portanto, faz- se necessário um ajuste estratégico de atividades que venham suprir as carências pedagógicas e estrurantes deste aspecto do desenvolvimento.
           
No período de internação o terapeuta ocupacional utiliza-se do brincar como mediador no processo de habilitação, reabilitação e hospitalização infantil proporcionando melhora no enfrentamento da condição hospitalar, A atividade lúdica  influencia  todo o seu desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico contribuindo assim para sua evolução no tratamento, tornando os internos aptos a viver em sociedade, relacionar-se com outras pessoas de uma maneira saudável e autônoma.

 

Intervenção Terapêutica Ocupacional

 No processo de hospitalização de cirurgia cardiovascular pediátrica o terapeuta ocupacional  interven no pré-operatório, no pós-operatório,  na internação e na  reabilitação cardíaca

 

A Terapia Ocupacional no Pré Operatório

 

Acolhimento: O profissional recebe a criança juntamente com sua família tendo  por objetivo amenizar as angústias e ansiedades que o processo de hospitalização provoca.  Também, faz uso de roteiro de anamnese  para conhecer a história de vida e sua dinâmica familiar, permitindo um reconhecimento da realidade de vida, aspectos culturais, sócio econômicos e emocionais que possam vir a influenciar no nível atual de desenvolvimento infantil uma visão da situação atual da criança e dos prejuízos dessa situação nas atividades do cotidiano. 

 

Avaliação  do Desempenho Ocupacional: O terapeuta realiza uma avaliação de Desempenho Ocupacional fundamentada no modelo centrado no cliente, que tem o objetivo de  investigar a área ocupacional em transtorno e suas dificuldades apresentada nas atividades da vida diária (alimentação, vestuário, higiene, transporte) e atividades de vida prática (escola, brincar,)devido às limitações que a cardiopatia acarreta. Após as colocações familiares o olhar do T. O recai sobre a criança em sua forma de ser e fazer, abrindo caminhos para percepção de suas necessidades, a partir dos quais os objetivos terapêuticos serão delineados. 

 

Orientação Familiar: A orientação familiar no pré-operatório é realizada no sentido de minimizar as ansiedades e angustias quanto ao processo de hospitalização, esclarecendo a respeito: do ambiente hospitalar, dos procedimentos que a criança ou adolescente será submetidos; do  comportamento da família em relação ao ambiente hospitalar e das condutas relacionadas aos pacientes

 A hospitalização também é uma experiência difícil para os pais que, nessa situação, geralmente, observam procedimentos dolorosos ou desagradáveis, sem estarem preparados, além de não poderem tomar determinadas decisões ou executar certas atividades com seu filho.

 

Preparação da criança e do adolescente para cirurgia através  da atividade lúdica: A criança internada pode apresentar perda de funções em vários níveis, nos diversos aspectos de seu desenvolvimento, mas, na maioria dos casos, não perde a percepção do que acontece à sua volta.

A criança desconhece muitas coisas, desde estruturas das enfermarias, as roupas que vai usar, as pessoas que vai encontrar, os exames a serem realizados , a cirurgia em si e a alimentação. Esse desconhecimento, por vezes, provoca medo, angustias e até agressividade, sentimentos que têm uma influência direta no quadro clinico da cardiopatia.


A intenção  da atividade lúdica é facilitar a adaptação da criança à hospitalização. Daí a necessidade de se intermediar, por meio do simbolismo lúdico,experiências informativas da cirurgia, da rotina hospitalar e dos  instrumentos que fazem parte deste novo ambiente ( injeções , soro luvas mascaras),  permitindo à criança vivenciar acontecimentos futuros, de modo a retratar , cada vez mais fielmente, a realidade da hospitalização. 


Portanto, o ato de brincar proporciona melhora no enfrentamento da condição hospitalar, o que influencia em todo o seu desenvolvimento social, emocional e físico  contribuindo para a evolução do tratamento.

 

A Terapia Ocupacional Pós-Operatório

Na Unidade de Terapia Intensiva –UTI a intervenção é feita de duas formas que se inter-relaciona no dia- a- dia:

 

Primeiro: o trabalho clínico que através da promoção do brincar  possibilita  às crianças  vivenciarem uma experiência diferente, ao invés de  lidar apenas com o medo, a dor, as limitações,e incapacidades atuais.  

 

O ato de brincar possibilita vivenciar outro tipo de intervenção, que promove o saudável e o prazeroso. A dor por ser uma experiência sensorial e emocional desagradável associada ao dano tecidual, é necessário que a criança seja ativa neste processo compreendendo de acordo com sua competência intelectual, o que se passa com o seu corpo e sua doença. Apreender a lidar com a dor e a ficar longe de casa, comprova a  sua própria melhora após a cirurgia podendo tornar-se   uma experiências positivas, vista pelas crianças como sinais de que se saíram bem. Entretanto é necessário o Terapeuta ajudá-la ou estar ao lado dessa descoberta. 

 

 A segundo forma de intervenção é dado pelo  trabalho comum a todos os profissionais da equipe, que visam à humanização do hospital, por meio de adequação de imobiliários, decoração do ambiente e qualidade no atendimento a família, bem como capacitação de profissionais, visando a melhoria técnico cientifica da equipe.  O ambiente confiável proporciona garantia a criança de enfrentar situações as mais adversas

 

A Terapia Ocupacional na Internação - enfermaria

            

Após a cirurgia sempre é esperada melhora nas condições cardiorespiratórias, bem como de desempenho ocupacional, independente do tipo de tratamento aplicado, podendo apresentar  cura, e defeitos residuais. A partir do  período de transição entre a internação e alta hospitalar  começa o período de investigação e avaliação dos componentes do  desenvolvimento infantil para serem trabalhados.

 

A criança permanece na enfermaria, aproximadamente sete dias, caso não haja nenhuma intercorrência no estado clinico do paciente.   A intervenção do terapeuta ocupacional é essencial no que se refere ao acompanhamento familiar, em especial pela mãe, que além da situação real, tem outros afazeres, como cuidar da casa e do outros filhos, gerando assim uma angustia adicional, ficando mais fragilizada. É importante salientar o cuidado com a relação mãe e filho que é primordial para o desenvolvimento da criança e a melhora de sua qualidade de vida durante a internação.

 

Outro fator que não podemos esquecer é facilitar o vinculo e instrumentalizar a mãe nos cuidados com seu filho, oferecendo a ela a possibilidade de sentir-se segura quanto ao manuseio, posicionamento, à higiene e a alimentação do seu filho apesar da presença do  soro, curativo e corte cirúrgico.

 

As atividades lúdicas são realizadas de acordo com as condições fisiológicas da criança de forma gradativa, respeitando sempre a orientação médica, bem como o próprio limite do paciente. A humanização na enfermaria também é intensificada, no que se refere adequação do imobiliário e decoração da enfermaria, promovendo assim um ambiente mais acolhedor.

 

A reabilitação cardíaca

 

A reabilitação cardiaca do Incor Criança está sendo definida como um programa de qualidade de vida para todas as criança que realizaram cirugias com ações interdisciplinares, para modificar habitos de vida e interferir em todos os fatores de risco que comprometa  o desenvolvimento infantil.

 

A atuação da equipe interdisciplinar( cardiopediatra , terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, educador físico)  está em fase de estudos, por meio de pesquisas e coletas de dados, tendo como  objetivo a melhora no desempenho fisico, funcional e socio-emocional da criança e do adolescente cardiopata, bem como a orientação da familiar quanto aos  cuidados gerais após alta hospitalar  e potencialidade da criança.


O referêncial do modelo  canadense de trabalho elege um instrumento de base Canadiaan Occupational Performace Measure (COPM) para metas designadas pela familia com crianças de idade até 8anos e metas indicadas por eles mesmo, a partir desta idade. Em seguimento as metas apontadas será eleito outro referencial para examinar os componentes do desenvolvimento infantil para alcançar os objetivos desejados.

 

Estes intrumentos estão em analise, pelo fato de tratar-se de uma prática pioneira no Brasil em cardiopediatria, no entanto nos utilizamos do desenvolvimento infantil com base  nos classicos dessa categoria como: Gessel, Piaget ou mesmo o exame revisado do DENVER 2 que foi qualificado para uso de crianças brasileiras até 6 anos. Na presença de sequelas neurologicas temos o instrumento motor de Alberta Infant Motor Scale, AIMS( 18 meses)  e do Pediatric Evaluation of Disability Inventory-  PEDI para crianças de 0 a 8 anos. Estamos em pesquisa para refenciar as outra idades, bem como a comprovação da  prática da Terapia Ocupacional na reabilitação cardiaca pediatrica.

 

Arismênia Maria Almeida Lima Góis
Terapeuta Ocupacional